sábado, 5 de maio de 2012

Entre pesquisas e trabalhos em grupo

No dia 19/04/2012, participei da palestra "Quero pesquisar, mas como começar?" com a profa. Tereza Cristina.

Ela apresentou os tipos de conhecimento: popular, científico, filosófico e religioso. Além disso, fez um breve relato histórico do curso de Pedagogia e a importância do professor pesquisador.

Então apresentou todos os tópicos de um projeto de pesquisa, conteúdo que não é novo para mim, mas sempre atiça a vontade de pesquisar.

Por falar nisso, esse semestre temos "Introdução ao Trabalho Científico" e tenho sofrido, porém, não pelo assunto nem pela disciplina, mas pelo trabalho em grupo. Ô coisa difícil!

As pessoas trabalham o dia inteiro, tem compromissos, não se comunicam e fica tudo mais complicado... O trabalho fica nas mãos, ombros e tudo de um só. Nesse caso, eu.

Acredito que como futuros pedagogos devemos agir da forma que iremos querer que os nossos alunos ajam: com respeito ao colega, participando realmente das atividades e caso não possa estar, que, pelo menos se comunique e se justifique. Um simples nome no trabalho sem ao menos acompanhar o processo (mesmo que à distância), para mim, mostra-se aético. Como cobrar ética, disciplina e respeito se não fazemos disso valores em nosso cotidiano?

É para se pensar no quanto, muitas vezes, uma pequena situação esconde muito mais em suas raízes.

1.2012

sábado, 21 de abril de 2012

Pro Dia Nascer Feliz (2006)


 1.2012






Pela Disciplina Educação e Cidadania, tive que assistir o documentário "Pro Dia Nascer Feliz", do diretor João Jardim. Mas, na verdade, já havia assistido um tempo atrás.

Bem, começa com imagens e narrativa de um filme dos anos 60 sobre a juventude transviada e questionando se a solução não seria a escola.
Depois pula 40 anos e mostra o que mudou: há escola para todos, mas poucos terminam os estudos e desenvolvem a leitura e a escrita para as práticas sociais.
É assim que o documentário inicia a sua jornada, apresentando cotidianos escolares de regiões diversas do Brasil, desde uma pequena escola em Manari/PE até uma escola de elite na capital paulista.
Mostra realidades que faz o espectador refletir e confirmar a escola como reprodução da sociedade, principalmente pelas situações de violência não só física, mas simbólica, alimentando um ciclo de exclusão social.
Começando pelos professores, o documentário apresenta-os nas escolas públicas como trabalhadores desvalorizados, vítimas do descaso do Estado e da violência por parte dos alunos. Uma professora carioca e uma pernambucana argumentam que os docentes andam desestimulados por causa do desinteresse dos estudantes e mesmo os profissionais mais participativos se sentem massacrados pela estrutura, condições de trabalho e política educacional brasileira.
Talvez, por isso, esses professores violentados pelo Estado também pratiquem contra seus alunos o mesmo ato, acabam legitimando o discurso do fracasso e da incompetência. Como no caso da garota Valéria (Manari/PE), que, apesar de todos os obstáculos, escreve poesias, mas é desacreditada de seu talento  pelos docentes de sua escola.
E não para por aí, as escolas mostram-se distantes da realidade dos alunos, transmitindo-lhes um “ensino” descontextualizado  e homogeneizador, sem respeitar diferenças. Como prender a atenção e o interesse de adolescentes, quando o mundo lá fora parece mais rico? Essa situação pode ser observada no documentário tanto nas escolas públicas quanto na escola particular, que em sua maioria têm-se garotas e garotos sonolentos e dispersos.
Entretanto, a divisão de classes é visível, já que os alunos do colégio de elite são cobrados, pressionados e preparados para o mercado, para conquistar trabalhos bem remunerados e socialmente valorizados. A violência nesse caso é praticada não só pela escola, mas também pelos pais em busca da dita qualidade.
No caso dos estudantes de escolas públicas, a eles são reservados futuramente subtrabalhos ou trabalhos mal remunerados e desvalorizados. É a escola servindo para manter o status quo, violentando adolescentes e crianças, sem formar cidadãos, mas indivíduos para aceitar o seu “destino social” como culpa deles mesmos.
O documentário ainda mostra garotos que vivem tentados pela criminalidade, uma garota contando como assassinou a facadas uma colega no pátio da escola e outra que desistiu de estudar por conta das ameaças de colegas.
E, mais uma vez, essa escola se apresenta como um retrato dessa sociedade. Essa última cruel, antidemocrática, sem limites e sem respeito ao outro,  em que políticos roubam, não são culpabilizados e punidos, em que a cultura da violência/morte está em voga e a mídia alimenta os desejos de consumo para poucos. Esse é o retrato da realidade que alimenta a escola.
Mas iniciativas como esse filme servem para refletir e abrir o debate sobre a educação e a juventude. Muito além de escolas públicas e particulares, deve-se priorizar  a educação como elemento fundamental para formar cidadãos e interromper esse ciclo perverso e violento de exclusão.
1.2012


Referências
ABRAMOVAY, Miriam. Educar, Condicionar ou  Punir. Disponível em:  <www.miriamabramovay.com> Acesso em: 13/04/2012.

BANDEIRA, Lourdes e BATISTA, Analia Soria. Preconceito e Discriminação como Expressões de Violência. Disponível em:  <http://www.scielo.br/pdf/ref/v10n1/11632.pdf >  Acesso em: 13/04/2012.

 Acesso em: 13/04/2012.

TEIXEIRA, Alexnaldo Rodrigues e AZEVEDO, Eulália Lima.  Aula 04Ética e Educação: Uma Introdução In: UNIVERSIDADE SALVADOR - UNIFACS. Módulo da disciplina Educação  e Cidadania: curso de Pedagogia. Salvador: Unifacs EaD, 2012 p.691 a 706.

TEIXEIRA, Alexnaldo Rodrigues e AZEVEDO, Eulália Lima.  Aula 05Violência e Instituição Escolar. In: UNIVERSIDADE SALVADOR - UNIFACS. Módulo da disciplina Educação  e Cidadania: curso de Pedagogia. Salvador: Unifacs EaD, 2012 p.707 a 720.

TEIXEIRA, Alexnaldo Rodrigues e AZEVEDO, Eulália Lima.  Aula 06Racismo: Representações e Vivências do Preconceito na Escola. In: UNIVERSIDADE SALVADOR - UNIFACS. Módulo da disciplina Educação  e Cidadania: curso de Pedagogia. Salvador: Unifacs EaD, 2012 p.721 a 730.

domingo, 1 de abril de 2012

Estudo Histórico

"Embora não sejamos capazes de voltar ao passado, nem de chegar ao futuro, nem mesmo de manusear o presente, somos, mesmo assim movidos pelo eterno e incansável desejo de saber. E queremos o saber não só para nos apropriarmos dele, mas queremos nos apropriar do saber para possuirmos elementos de manipulação. O saber, portanto é uma das dimensões da política que é um dos braços da economia que interfere nas relações sociais e, portanto, interfere em nossas vidas cotidianas. Estudamos história não por amor ao passado, mas porque queremos interferir em nosso cotidiano, que é um presente fluído, constante e virtuosamente sendo arremessado ao passado." (CARNEIRO, 2008)

Ontem, 31/03/2012, foi a apresentação da atividade de Pesquisa e Prática Pedagógica II sobre Estudo Histórico.
Devíamos, em grupo, escolher um colégio para estudar sua história, proposta político-pedagógica, suas peculiaridades e especificidades.
O meu grupo escolheu o ISBA, colégio em que estudei de 1987 a 1993 e em que a outra colega possui uma filha que hoje estuda lá.
O estudo histórico foi muito gratificante de fazer, pois, apesar de ter estudado lá, não conhecia todo o percurso da irmã Maria Alice até a formação e construção do ISBA.
Outro ponto importante foi entender que nada é estanque, ou seja, as mudanças e decisões (pedagógicas e estruturais) do colégio estão ligadas ao contexto, ao que acontece em sua volta.
Além disso, conhecer a história, ajuda-nos a entender o presente, como chegou a tal ponto e, como educadores, entender todo o caminho pedagógico percorrido pela instituição.
A minha crítica fica por conta da forma de trabalho (em grupo) porque, em um curso EAD, as pessoas têm muito pouco tempo ou moram no interior do Estado, fica difícil se reunir e debater, o que quase sempre acaba sobrecarregando um/dois integrantes.
Outra observação é o prazo, senti-me um pouco frustrada por não ter um tempo adequado para um trabalho mais completo, mais profundo. Ainda mais um colégio como o ISBA, em que os profissionais não estão à disposição, precisa agendar, entre outras ações.
Como dificuldade foi o trancamento do curso por uma das colegas da equipe (desfalque) e que era responsável pela pesquisa inicial, atrasando e encurtando ainda mais o nosso prazo.
Contudo, os frutos colhidos são positivos.
Para mim, particularmente, atualizou a imagem “congelada” do ISBA em minha memória e, como aspirante a educadora, pude analisar pontos do colégio que nunca havia observado.
Abaixo estão os slides do trabalho apresentado:




















Referência:

CARNEIRO, Neri de Paula. O Porquê do Estudo Histórico. Disponível em http://www.webartigos.com/artigos/o-porque-do-estudo-historico/5230/ Acesso em 01/04/2012




quarta-feira, 21 de março de 2012

Piaget, Vygotsky, Wallon e as portas que o conhecimento abre

No último dia 20/03/2012, tive uma reunião de pais e mestres na escola de meu filho Felipe (Grupo 5). Reunião longuíssima, com mais de duas horas de duração...
Entretanto, serviu para eu perceber o quanto é importante o conhecimento. O diretor da escola desfilou os seus termos pedagógicos e suas especificidades, talvez, no intuito de demonstrar a "profundidade de seu conteúdo". Por que outro motivo usaria a expressão "sociointeracionismo" em um ambiente de pais de outras áreas, profissões e ocupações, e mais interessados em saber sobre o cotidiano de seus pequenos.
Onde quero chegar? Bem, senti-me mais segura, pois aquilo, para mim, não era mais grego. É, estou estudando sobre o sociointeracionismo na Disciplina Psicologia da Educação, incluindo Piaget, Vygotsky e Wallon .
Tem me ajudado muito na relação com o meu filho e sua aprendizagem. Ai, se eu soubesse disso em 2011, quando meu garoto passou por dificuldades de entrosamento e desenvolvimento na escola. O conhecimento é como a luz que incide sobre a caverna escura, dá segurança para se posicionar.
Vamos ver algumas idéias do trio sociointeracionista.
Piaget, biólogo, entendia que todos os seres vivos procuram equilíbrio na troca com o meio ambiente. O ser humano não é diferente, busca a equilibração. Acreditava que situações novas provocam novos conhecimentos através da assimilação (incorporação pelo indivíduo de elementos do ambiente) e acomodação (modificação dos esquemas já conhecidos), resultando na adaptação. Trouxe a idéia de estágios de desenvolvimento através de um processo linear, um após o outro e sem queimar etapas.
Concordo (?) em parte com Piaget quanto à maturação, mas não na linearidade, pois com Felipe não foi assim, teve momentos em que um se sobressaia a outro e até momentos de regressão.
Quanto à Vygotsky, valorizou a interação social como fonte de desenvolvimento da cognição e do comportamento, ou seja, a criança se desenvolve no contato com os outros e muda de acordo com o meio.
Acredito em um mix de Piaget e Vygotsky, o indivíduo se desenvolve na relação com o outro, mas também passa por um processo interno.
Já Wallon não acreditava na linearidade do desenvolvimento, há estágios, mas um pode se sobrepôr a outro ou pular etapas. Ele dá um papel de destaque para a afetividade que é uma mola propulsora e funciona como um instrumento de sobrevivência.
Não preciso nem dizer que, do jeito que sou emotiva, acredito no afeto para tudo: para educar, para ajudar, para transformar realidades e tornar o mundo melhor. Portanto, Wallon, por enquanto, é o meu preferido.
Acima de tudo, esse conhecimento me fez respeitar mais o meu filho e o seu ritmo e maturidade. Não espero que ele seja igual a Fulano ou Beltrano, mas que desenvolva autonomia para seguir seu caminho.
Antes de terminar com meus devaneios e estudos, não posso deixar de registrar o meu orgulho, pois, antes de ser pedagoga (aspirante), sou mãe. Nessa mesma reunião, Felipe foi um dos destaques pelo seu desenvolvimento e relacionamento com os coleguinhas. Depois de toda dificuldade que passou no ano de 2011, isso é uma vitória, ou como diz os piagetianos, ele se adaptou.

1.2012

Referência:
VAZ, Claudia e UZÊDA, Sheila. Aula 06 - Abordagem Cognitivista: Jean Piaget. In: UNIVERSIDADE SALVADOR - UNIFACS. Módulo da disciplina Psicologia da Educação: curso de Pedagogia. Salvador: Unifacs EaD, 2012 p. 283 a 298. Disponível em: http://www.ead.unifacs.br/moodle/file.php/3193/aulas/psico_educacao_aula06.html
 VAZ, Claudia e UZÊDA, Sheila. Aula 07 - Henri Wallon e sua perspectiva dialética a respeito do desnvolvimento humano. In: UNIVERSIDADE SALVADOR - UNIFACS. Módulo da disciplina Psicologia da Educação: curso de Pedagogia. Salvador: Unifacs EaD, 2012 p. 299 a 308. Disponível em: http://www.ead.unifacs.br/moodle/file.php/3193/aulas/psico_educacao_aula07.html
 VAZ, Claudia e UZÊDA, Sheila. Aula 08 - A abordagem histórico-cultural de Vygotsky. In: UNIVERSIDADE SALVADOR - UNIFACS. Módulo da disciplina Psicologia da Educação: curso de Pedagogia. Salvador: Unifacs EaD, 2012 p. 309 a 320. Disponível em: http://www.ead.unifacs.br/moodle/file.php/3193/aulas/psico_educacao_aula08.html


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Estudantes digitais e professores analógicos

No encontro de 25/02/2012, a maior expectativa de todos da turma foi saber quem continua ou quem desistiu devido às dificuldades do primeiro semestre, como o método EAD, a questão da autonomia e das novas tecnologias.

O encontro teve apenas 7 estudantes: Rose, Thania, Jane, Luiz, Amelia, Mônica e Manuela.
Fiquei pensando o quanto é dificil estudar após assumir uma vida com filhos, casamento, trabalho... Ter que se debruçar em textos com linguagem, muitas vezes, fora do nosso cotidiano, forçar nosso cérebro a sair do automático, descortinar novas possibilidades. Precisamos de uma motivação e força extras para sair da zona de conforto. O melhor (ou pior) disso tudo é que devemos encontrar essa motivação dentro de nós mesmos!

Alguns se renderam por não pedirem ajuda ao colega, porque não sabiam o que e como fazer na frente de um PC... Colegas com experiência em sala de aula que não se apavoram com crianças e/ou adultos (seres complexos), mas se amendrontam com uma máquina.

É possível, em plena tempestade de tecnologia, sermos professores analógicos? Qual a linguagem que devemos usar com os alunos? Alguns aprendem a teclar antes mesmo de saberem escrever direito.

Sei que isso é um detalhe no processo de ensino-aprendizagem, porém sabermos falar com eles e na língua deles ajuda na construção do conhecimento, permite entender a força que essa ferramenta pode ter quando bem empregada. As novas tecnologias podem ser instrumento da educação, podem auxiliar na emancipação dessas crianças e adolescentes.

Vamos abrir nossa mente, como dizia Paulo Freire (1996):

       "ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação"

1.2012


Referência:


GALVÃO, Nelma e UZÊDA, Sheila. Aula 2 – Os Paradigmas Norteadores da Educação Especial. In: UNIVERSIDADE SALVADOR - UNIFACS. Módulo da disciplina Educação Especial: curso de Pedagogia. Salvador: Unifacs EaD, 2012 p. 13 a 18. Disponível em: <http://www.ead.unifacs.br/moodle/file.php/3196/aulas/especial_aula02.html>


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Expectativas e um banho de realidade


Passou o Carnaval cidade! Acorda pra ver! Novo semestre do curso de Pedagogia, novas disciplinas, expectativas renovadas.

Arte Educação, Educação e Cidadania, Educação Especial, Psicologia da Educação... Ufa! Parece-me à primeira vista bastante complexo, mas tratarão de assuntos que me interessam. Uma das vertentes da Pedagogia que me atrai é a Social. Anseio por desenvolver algum trabalho que possibilite mudanças, mesmo que pequenas, para as pessoas. Quem sabe até em Santiago do Iguape, terra que frequento.
Por falar em Santiago do Iguape, passei o Carnaval lá e um fato mexeu muito comigo. Um garotinho doce com olhos desejosos de afeto (de uns 7 a 8 anos) estava quase sempre na casa de minha mãe, onde procurava os abraços e beijos dela e brincava comigo, minha sobrinha (5 anos) e meu filho (4 anos). Pois bem, o pessoal (minha mãe, três amigos e meu marido) resolveu sair fantasiado de Nego Fugido pelas ruas da localidade e ele foi se vestir de índio para poder sair junto.

Estava tudo bem, até o pai dele, que estava visivelmente bêbado, puxar o menino e justificar que aquela situação poderia fazê-lo perder a guarda da criança, que , segundo ele, conseguiu com tanto custo. Inicialmente, irritou-me porque o que ele estava fazendo era pior: fora de controle com copo de conhaque na mão e sem nem saber onde estava o seu filho. Depois a irritação virou revolta quando fiquei sabendo que era apenas pelo medo de perder o Bolsa Família.

Durante esse discurso da guarda, o garotinho chorou, um choro abafado. Não sei decifrar de que: medo, tristeza, solidão?

Meu marido e os amigos que são nativos de lá e conhecem o referido senhor disseram que ele é grosseiro e bate muito no menino. O pior tratamento é dado a esse filho por desconfiar não ser o pai dele.

No dia seguinte, meu esposo encontrou com o garotinho e perguntou se o pai havia feito algum mal a ele. Respondeu que não, mas depois do episódio não foi mais a nossa casa.

Daí fiquei arrasada, passaram-se três dias e quando vejo a foto dele no meu celular, bate a tristeza e a impotência, a culpa de não ter feito nada...

Sensação essa que não posso deixar tomar conta de mim, já que para ser pedagogo e lidar com vidas, não podemos perder as esperanças de conseguir uma pequena mudança, mesmo pequena, o mais importante é que ela venha!


1.2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Que Escola Queremos?

Essa pergunta é muito difícil de responder principalmente para pais pedagogos. Dividimo-nos entre o conhecimento voltado para o cada vez mais afunilado mercado de trabalho e o desenvolvimento e emancipação do ser humano.
Para começar, gostaria de falar sobre a Disciplina Abordagem Histórico-Filosófica da Educação, em que essas reflexões começaram a brotar.
Primeiro, tomei conhecimento sobre as tendências filosóficas da Educação e sobre as Pedagogias Liberal e Progressista.
Bem, na prática pedagógica, o professor, invariavelmente, se orienta por uma das tendências filosóficas: redentora, reprodutora e transformadora.
Na educação redentora, a finalidade é a adaptação do indivíduo ao meio social, desenvolvendo suas habilidades e ensinando os valores necessários para essa convivência. Nessa tendência, a educação é exterior à sociedade e possui o papel de redimi-la. A maioria das escolas encontra-se nessa posição e as práticas diárias demonstram isso. Observando a escola em que meu filho estuda, de ensino privado, localizada na Federação, os alunos de Educação Infantil (4 e 5 anos) são direcionados a seguir as atividades propostas e a aprenderem a conviver naquelas regras, independente de suas subjetividades.
A educação reprodutora, como o próprio nome já diz, reproduz o modelo social vigente, inclusive as diferenças sociais, culturais, de gênero e étnicas. A escola surge como principal instrumento ideológico do Estado que garante a continuidade da hegemonia política, em vez de democratizar. Também na maioria dos espaços escolares, há a reprodução dos preconceitos, estereótipos e pouco respeito à diversidade. Na escola citada anteriormente, reforça-se a questão irreal de um país de uma só cultura, pois não se aborda outras no dia-a-dia, como a negra ou a indígena, apenas no Dia do Folclore, como algo alegórico ou excêntrico, perpetuando o preconceito.
A transformadora é utilizada como ferramenta para concretizar um projeto social que pode ser conservador ou de mudança. Para essa tendência, pode-se exemplificar o Projeto Axé, espaço educativo para crianças e jovens em situação de rua. Trabalha-se a auto-estima, a inclusão social, a cidadania, a igualdade de oportunidades e saberes, enfim, o enfrentamento da exclusão, consequentemente, a transformação da sociedade.
As Tendências Pedagógicas tratam da prática escolar. Segundo LUCKESI (1990), “a perspectiva redentora se traduz pelas pedagogias liberais e a perspectiva transformadora pelas pedagogias progressistas”.
As Pedagógicas Liberais, influenciadas pelos ideais da Revolução Francesa, defendem a liberdade e os interesses individuais. A preocupação primordial é preparar o indivíduo para desempenhar papéis sociais, desenvolvendo sua cultura e tornando-o capaz de se adaptar às regras da sociedade. Divide-se em tradicional, renovada progressivista, renovada não-diretiva e tecnicista.
A Pedagogia Progressista tem uma proposta que não se adéqua à sociedade capitalista, pois defende a análise crítica da realidade e as finalidades sociopolíticas da educação. Subdivide-se em libertadora ou pedagogia de Paulo Freire, a libertária e a crítico-social dos conteúdos.
A libertadora, que é a que mais me interessa,  propõe a conscientização do indivíduo a partir da sua realidade. Acredita que, para a transformação da realidade, a educação é um instrumento. Tanto os professores como os estudantes devem aprender e ser agentes críticos do processo ensino-aprendizagem. Nesse sentido, a atividade pedagógica se baseia em grupos de discussão e utiliza-se de temas sociais e políticos.
Após passar por toda essa teoria, fiquei pensando em como adequar a Pedagogia de Paulo Freire ou Libertadora à realidade atual tão voltada para o “chegar lá” (sucesso profissional, status, dinheiro, etc). Pareceu-me idealista demais!
O livro “Medo e Ousadia” (1986) esclareceu alguns pontos através das experiências e vivências dos autores Ira Shor e Paulo Freire e de outros professores, que tentaram aliar o conteúdo oficial com a educação libertadora.
O primeiro ponto que me chamou atenção foi o objetivo da transformação. Segundo os próprios autores, a sociedade usa a educação como aparelho ideológico, então é utópico esperar que essa mesma elite mude essa realidade. Esse papel de “futucar e semear” a percepção crítica nos alunos deve ser cumprido pelo professor, debatendo sobre o status quo e denunciando a reprodução da ideologia dominante.
Soa bonito, mas o que mais me envolveu e pareceu mais possível é o estímulo e desenvolvimento do espírito crítico e a consequente transformação, seja ela uma marola ou um tsunami. O mais importante é sair do automatismo, da educação “bancária” (depósito de conteúdos).
Essa discussão foi bem intensa na nossa sala de aula durante a apresentação do Projeto Pessoal da colega Cora Corinta, em que ela expôs o desejo de trabalhar com crianças em condições e com métodos diferentes do que vemos por aí. Foi bombardeada pelas outras colegas que tem experiência em sala de aula (provavelmente, reprodutora). Fiquei desanimada ao ver o que a ideologia dominante pode fazer com os ideais e ideias dos educadores.
Essa situação está prevista também no segundo questionamento: o receio dos professores de praticar uma educação emancipadora e perder o emprego. Como conciliar o conteúdo engessado com debates sobre temas além dos muros da escola? E os alunos com expectativas tradicionais estão preparados para isso?
A posição dos autores foi interessante e trouxe um “sopro de esperança”, pois defende que o educador libertador pode oferecer a formação profissional, entretanto sem mistificações e levantando questões críticas, abrindo espaço para discussões. Assim esse aluno não será apenas mais um adulto no mercado, mas um cidadão preparado para “ler” a realidade, exigir seus direitos e conseguir pequenas mudanças à sua volta.
Essa escola é a que gostaria de ver concretizada: seguindo o currículo formal, porém instigando os discentes a pensar e a questionar o status quo, a conhecer a multiplicidade da cultura brasileira, a utilizar as novas linguagens para mobilizar e protestar, ou seja, menos reprodutora e mais transformadora.

2.2011


Referências:
FAGUNDES, Tereza Cristina Pereira. Aula 06 – Correntes Filosóficas In: UNIVERSIDADE SALVADOR – UNIFACS. Módulo da disciplina Abordagens Histórico-Filosóficas da Educação: curso de Pedagogia. Salvador:Unifacs EaD, 2011, p. 53 a 56.
FAGUNDES, Tereza Cristina Pereira. Aula 07 – Pedagogia Liberal In: UNIVERSIDADE SALVADOR – UNIFACS. Módulo da disciplina Abordagens Histórico-Filosóficas da Educação: curso de Pedagogia. Salvador:Unifacs EaD, 2011, p. 57 a 62.
FAGUNDES, Tereza Cristina Pereira. Aula 08 – Pedagogia Progressista In: UNIVERSIDADE SALVADOR – UNIFACS. Módulo da disciplina Abordagens Histórico-Filosóficas da Educação: curso de Pedagogia. Salvador:Unifacs EaD, 2011, p. 63 a 68.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Educação e Sociedade: Redenção, Reprodução e Transformação. São Paulo: Cortez Editora, 1990. p.37 a 52.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Tendências Pedagógicas da Prática Escolar. São Paulo: Cortez Editora, 1990. p.53 a 75.
FREIRE, Paulo e SHOR, Ira. Medo e Ousadia – O Cotidiano do Professor. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.